Bab 1: O Jardim das CriançasBab 1: Taman Anak-Anak

Bab ini belum tersedia dalam Indonesian. Masuk untuk menerjemahkannya dan bebaskan untuk semua orang.

Valkíria Silva acordou antes do despertador, como quase sempre acontecia. Eram seis e dez da manhã quando ela abriu os olhos, e um sorriso já se formou em seus lábios antes mesmo de sair da cama. O quarto ainda estava escuro, mas ela conseguia sentir o cheiro suave de baunilha do difusor que deixava ligado durante a noite. Levantou-se, esticou os braços para o alto e caminhou até a janela, abrindo a cortina florida.

— Bom dia, mundo — murmurou para si mesma, como fazia todas as manhãs.

Aos vinte e nove anos, Valkíria era exatamente o tipo de pessoa que parecia ter nascido para iluminar ambientes. Cabelos castanhos com mechas douradas naturais que caíam em ondas suaves até o meio das costas, olhos cor de mel cheios de vida e um sorriso que parecia desarmar qualquer mau humor. Vestiu um vestido leve amarelo-mostarda com pequenas borboletas brancas estampadas, colocou seus brincos de sol e calçou sapatilhas confortáveis. Estava pronta para mais um dia no seu lugar favorito do mundo: o Jardim das Crianças.

Ao chegar à escola, o sol ainda estava baixo no céu. O prédio baixo e colorido, pintado em tons de azul e laranja, parecia sorrir para ela. Valkíria abriu o portão lateral com sua chave e respirou fundo o cheiro de madeira, tinta guache e esperança que sempre pairava no ar.

— Bom dia, Jardim! — exclamou baixinho, acendendo as luzes da sala 3, destinada aos alunos de 4 e 5 anos.

A sala era uma explosão de cor e carinho. Nas paredes, desenhos feitos pelas crianças formavam uma galeria viva. Havia um cantinho da leitura com almofadas coloridas em formato de nuvens, uma mesa de atividades com massinha, tintas, lápis de cera em todas as cores imagináveis e um grande tapete redondo onde faziam a roda diária. No centro da parede principal, um cartaz escrito em letras grandes e redondas dizia: “Aqui nasce o amor”.

Valkíria começou sua rotina com calma e dedicação. Regou as plantinhas que as crianças cuidavam, arrumou os livros na estante, preparou o material para a atividade da manhã — uma colagem sobre “O que nos faz felizes” — e ligou uma playlist suave de músicas infantis.

Às sete e quarenta, os primeiros alunos começaram a chegar.

— Tia Valkíria! — gritou Sofia, uma menininha de quatro anos com trancinhas e olhos brilhantes, correndo para abraçar suas pernas.

— Oi, meu amor! — respondeu Valkíria, abaixando-se para receber o abraço com todo o carinho. — Como foi sua noite? Sonhou com o quê?

— Sonhei que era uma borboleta rosa!

— Que sonho mais lindo! Hoje vamos fazer uma borboleta na colagem, que tal?

Sofia concordou animada e correu para guardar sua mochila no escaninho cor-de-rosa.

Ao longo dos minutos seguintes, a sala foi se enchendo de vozes, risadas e pezinhos correndo. Lucas, o palhaço da turma, chegou contando uma piada sem graça que ele mesmo inventara. Miguel, mais tímido, segurava a mão da mãe com força, mas bastou Valkíria estender os braços para que ele viesse correndo.

— Bom dia, guerreiro — sussurrou ela, beijando o topo de sua cabeça. — Estou muito feliz que você veio hoje.

E então ela chegou. Luna.

A menina de cinco anos entrou quietinha, como sempre, segurando a alça da mochila com as duas mãos. Seus cabelos castanhos lisos caíam como uma cortina brilhante ao redor do rosto delicado. Seus olhos eram grandes e observadores.

— Bom dia, Luna — disse Valkíria suavemente, agachando-se na altura dela. — Que saia linda é essa! Parece um jardim andando.

Pela primeira vez no dia, Luna sorriu de verdade.

— Papai que escolheu — respondeu baixinho.

— Seu papai tem muito bom gosto. Quer me ajudar a colocar as músicas de hoje?

Luna assentiu e caminhou com ela até o aparelho de som. Enquanto escolhiam a primeira música, Valkíria observava a menina com carinho. Luna era uma das crianças que mais lhe tocavam o coração. Inteligente, sensível, um pouco fechada. Desde que a mãe falecera dois anos antes, a menina carregava uma tristeza quieta que Valkíria tentava amenizar todos os dias com paciência e amor.

Quando todos os vinte e dois alunos estavam presentes, Valkíria bateu palmas suaves.

— Muito bem, meus amores! Vamos fazer a roda do bom dia?

As crianças correram para o tapete redondo, sentando-se em seus lugares de costume. Valkíria sentou-se no chão junto com elas, cruzando as pernas.

— Bom dia, família Jardim! — exclamou ela, batendo palmas ritmadas.

— Bom dia, tia Valkíria! — responderam todos em coro, alguns mais alto, outros quase sussurrando.

Ela passou a cantiga de presença, elogiando cada criança individualmente. Quando chegou a vez de Luna, a menina levantou o rostinho e respondeu com uma vozinha doce:

— Presente… e feliz.

Valkíria sentiu o coração aquecer. Pequenas vitórias como aquela faziam todo o seu dia valer a pena.

A manhã seguiu leve e colorida. Durante a atividade de colagem, a sala se transformou em um verdadeiro festival de glitter, papel colorido e risadas. Valkíria circulava entre as mesas, elogiando, ajudando, limpando dedinhos sujos de cola.

— Tia, olha o meu! — pediu Miguel, mostrando uma colagem caótica, porém cheia de amor.

— Miguel, isso está incrível! Olha quanta cor! Você colocou o que te faz feliz?

— Você, tia. E meu cachorro.

Valkíria sentiu os olhos marejarem de emoção. Ajoelhou-se ao lado dele e deu um beijo estalado em sua bochecha.

— Então eu vou guardar esse para sempre.

No intervalo do almoço, enquanto as crianças descansavam, Clara — sua colega de sala ao lado e melhor amiga — apareceu na porta com duas xícaras de café.

— Você é um anjo, sabia? — disse Clara, entregando-lhe o café. — Eu ouvi suas crianças rindo do corredor. Parece que tem uma festa aqui todo dia.

Valkíria sorriu, soprando o café quente.

— É o que eu mais amo fazer na vida. Ver eles felizes… não tem nada igual.

Clara inclinou a cabeça, observando-a.

— E você? Está feliz? Bruno ainda está te tratando bem?

Valkíria hesitou por meio segundo, mas logo abriu um sorriso.

— Está sim. Ele é um bom homem. Às vezes é um pouco ciumento, mas… é porque me ama, né?

Clara não pareceu totalmente convencida, mas não insistiu. As duas conversaram sobre planos para o festival da escola que aconteceria em dois meses, até que o sinal tocou novamente.

O final da tarde chegou rápido. Os pais e responsáveis começaram a buscar as crianças. Valkíria despediu-se de cada uma com um abraço individualizado e um “te amo, até amanhã”.

Quando Luna foi buscada, não foi pelo pai, mas pela avó materna. A menina acenou timidamente antes de sair.

— Tchau, tia Valkíria.

— Tchau, meu docinho. Sonha com borboletas.

Quando a última criança saiu, Valkíria arrumou a sala com calma, cantarolando baixinho. Eram quase seis e meia quando finalmente trancou a porta da sala e caminhou até o carro.

Chegou em casa exausta, mas feliz. O apartamento que dividia com Bruno era bonito, decorado com bom gosto. Assim que abriu a porta, sentiu o cheiro de comida.

Bruno saiu da cozinha com um sorriso largo, limpando as mãos num pano de prato. Alto, bem vestido, cabelos escuros bem cortados. O tipo de homem que chamava atenção por onde passava.

— Olha só quem chegou… minha professora favorita — disse ele, aproximando-se e dando um beijo longo em seus lábios. — Como foi seu dia, amor?

— Foi maravilhoso — respondeu ela, abraçando-o pela cintura. — As crianças estavam especialmente carinhosas hoje. E a sua colagem sobre o que te faz feliz? Vou guardar para sempre.

Bruno riu, mas o riso não chegou completamente aos olhos.

— Que bom. Senta, eu fiz seu prato preferido. Lasanha de berinjela.

Durante o jantar, Valkíria contou animada sobre o dia. Falou de Sofia, de Lucas, de como Luna tinha sorrido mais hoje. Bruno ouvia, balançando a cabeça, mas de vez em quando fazia comentários sutis.

— Você se dedica tanto a essas crianças… às vezes acho que sobra pouco de você pra mim.

Valkíria parou o garfo no ar.

— Não é isso, Bruno. Eu te amo. Você sabe disso.

Ele estendeu a mão sobre a mesa e segurou a dela com firmeza — um pouco mais firme do que o necessário.

— Eu sei. Só não gosto quando você chega tão tarde. Um dia desses vou ter que ir buscar você na escola.

— Não precisa. Eu gosto de fechar a sala sozinha. É meu momento de organizar os pensamentos.

Bruno apertou levemente os dedos dela antes de soltar.

— Tudo bem. Você sabe que é por ciúme, né? Eu te amo demais. Não quero dividir você com o mundo inteiro.

Valkíria sorriu, ignorando o leve desconforto que sentiu no peito.

— Eu sei, amor. Você me ama.

Depois do jantar, os dois assistiram a um filme no sofá. Bruno a puxou para perto, passando os dedos pelos seus cabelos de forma possessiva. Em determinado momento, ele murmurou contra seu pescoço:

— Você é minha, Valkíria. Só minha.

Ela fechou os olhos e repetiu para si mesma, como um mantra que repetia há meses:

“Ele é assim porque me ama. É só ciúme. Um dia ele vai melhorar.”

Quando Bruno adormeceu no sofá, Valkíria ficou olhando para o teto da sala, ainda sentindo o calor do abraço dele — um abraço que, ultimamente, parecia mais uma prisão do que um refúgio.

Mesmo assim, ela sorriu.

Porque no dia seguinte voltaria para suas crianças. Voltaria para o Jardim das Crianças, onde o amor ainda era simples, colorido e puro.

E por enquanto, isso bastava.

Bagaimana bab ini?

Masuk untuk menulis ulasan juga.